sexta-feira, 23 de setembro de 2011

FAÍSCA *

Pensava não ser mais capaz
De por alguém sorrir...
Duvidava dessa grande paz
Que me fazes sentir...

Porém, vi que enganada estava;
Que o passado não é o presente;
Que o céu novamente clareava;
E que tu me deixas contente.

Como pôde? Como pode?
Pergunta antiga, pergunta atual.
Respectivamente, explodem
Em minha mente de intelectual.


Ainda não sei o tempo
Que permanecerá no meu coração.
Se me trará abrigo no tormento.
Ou se será mais uma decepção.

Mas não ligo, não temo...
Aprendi a viver o agora,
A sentir a paixão ao extremo
Assim que ela aflora.


Concluo, que sou capaz,

De meu choro cessar...
Então feliz, e em paz,
Mais uma vez amar...

Camila Miritz Kawski

domingo, 18 de setembro de 2011

TRECHO DA ADVERTÊNCIA DA PRIMEIRA EDIÇÃO DE "RESSURREIÇÃO" DE MACHADO DE ASSIS...

     [...]
     Aplausos, quando não os fundamenta o mérito, afagam certamente o espírito e dão algum verniz de celebridade; mas quem tem vontade de aprender e quer fazer alguma coisa, prefere a lição que melhora ao ruído que lisonjeia.
     No extremo verdor dos anos presumimos muito de nós, e nada, ou quase nada, nos parece escabroso ou impossível. Mas o tempo, que é bom mestre, vem diminuir tamanha confiança, deixando-nos apenas o que é indispensável a todo homem, e dissipando a outra, a confiança pérfida e cega. Com o tempo, adquire a reflexão o seu império, e eu incluo no tempo a condição do estudo, sem o qual o espírito fica em perpétua infância.
      Dá-se então o contrário do que era dantes. Quanto mais versamos os modelos, penetramos as leis do gosto e da arte, compreendemos a extensão da responsabilidade, tanto mais se nos acanham as mãos e o espírito, posto que isso mesmo nos esperte a ambição, não já presunçosa, senão refletida. Esta não é talvez a lei dos gênios, a quem a natureza deu o poder quase inconsciente das supremas audácias; mas é, penso eu, a lei das aptidões médias, a regra geral das inteligências mínimas.
     [...]

sexta-feira, 15 de julho de 2011

LENTA RECONSTRUÇÃO

Choro, por não estares mais aqui.
Alegro-me ao saber que não é fim.
Lágrimas de tristeza e saudade,
Envoltas em gotas de uma frágil estabilidade.

Os dias passam de forma veloz,
E no espaço se perde a minha voz...
Vai silenciando o meu pranto,
E gradativamente, aparecendo meu canto.

Sozinha viajo pelo tempo,
Transformando o que era lamento
Em pequenas porções de alegria;
O tormento em calmaria.

Minha visão de ti agora é turva,
Perdi no retrovisor ao fazer a curva.
Quando na estrada da vida percebi
Que ainda posso ser feliz.

Camila Miritz Kawski

LACUNA

É madrugada,
Madrugada de inverno;
Enquanto todos sonham
Eu escrevo,
E relembro.
Acordei em um sobressalto
Depois de um pesadelo,
Horrível pesadelo.
Sonhei que estavas feliz,
Com outro alguém.
Sem meu amor.
Que esqueceu a mim,
As nossas lembranças,
E a minha dor.
Dizias querer falar.
Tentava escutar-te.
Porém, me pus a chorar.
Estavas diferente
De um modo normal,
Mas ainda diferente.
Já não via mais em ti
A face do amor.
Só o desprezo.
Por isso chorei.
Com frio;
Com fome,
Com sede...
De reinventar o passado,
Acordei.
Aos prantos constatei
Ser só a minha mente
Te trazendo de volta.
É madrugada,
Madrugada em minha vida;
Mas eu não durmo.
Enquanto todos sonham...
Eu relembro.
Eu escrevo.

Camila Miritz Kawski

domingo, 10 de julho de 2011

LOUCURA REPENTINA

Tudo em minha vida parecia estar perfeito.
Era um momento de viver a recompensa,
Pelo tempo em que a angústia habitara meu peito;
Pela luta pelo sonho, que havia sido extensa.

Achava que nada poderia estragar a felicidade,
Que nada abalaria a conquista do amor.
Mas o mesmo que me trazia plena tranquilidade,
Tempos depois me apresentou à dor...

Vivi então, uma fase de reflexão e reclusão.
Um período onde o principal era esquecer.
Foram dias e meses pra reconstruir o coração,
Que havia sido quebrado de uma só vez.

Hoje, olhando e relembrando este passado
Tento encontrar algo que faça sentido,
Não encontro. Para a explicação não há espaço,
Então, porque este amor terá existido???

Também não sei. Presumo que nunca saberei.
Pra me ensinar algo, pra me fazer forte...
Mas não importa mais, porque hoje eu sei
Que o destino está mudando a minha sorte.


Camila Miritz Kawski

terça-feira, 28 de junho de 2011

MAGIA

Em meio a seres confusos,
Falantes, curiosos, indecisos...
Tentando se focar no estudo,
Sendo apenas, amigos.


Em meio a tantas risadas
As palavras perdem o sentido,
Situações são comentadas,
O alvo então é perdido.


Mesmo não encontrando razão
Neste ambiente me sinto bem,
Espanto totalmente a solidão,
E a alegria aos poucos vem.


Que bons momentos são esses,
Tenho medo que não sejam verdade.
Que se percam às vezes,
Que se perca a simples amizade.


Camila Miritz Kawski

terça-feira, 10 de maio de 2011

Os dois horizontes

[...]

Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, - a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, - a esperança
Dos tempos que hão de chegar.

[...]

Machado de Assis

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O complicado desvio que tomou a vida

O tempo parece não passar,
         E eu estou a pouco, muito pouco...
         De por ironia do destino, me tornar,
         De uma vez por todas o verdadeiro louco.

         Vozes influenciam minha decisão,
         E tenho certeza absoluta,
         Que o meu coração não dirá não,
         Para entrar nesta luta.
        
         Dois caminhos, duas opções:
         O bem ou o mal.
         Mágoas de dois corações,
         O açúcar que anula o sal.        

         Quando penso na situação em que me encontro,
         Vejo perdas, ganhos, morte e vida.
         O chegar do novo, início em outro ponto,
         Uma história ainda mal vivida.

         Os pensamentos que surgem em minha mente,
         Serão meus ou serão intrusos?
         Pois mesmo que uma saída eu invente,
         Acharão das minhas palavras diversos usos.

         Estradas com setas a seguir,
         Verdade e mentira
         Fazem-me chorar, sorrir...
         Desperta na essência de minha existência a mais profunda ira.

         Continua quando o desfecho, o final
         A conclusão de um enredo for encontrada.
         Não sei se por meus atos ou decisões,
         Alguma alma será ou não decepcionada.

Camila Miritz Kawski

Soneto da Separção

..
"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
...
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
....
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
...
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
...
Vinicius de Moraes

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carreto

Amar é mudar a alma de casa.

Mario Quintana


OBS: Para mim, poucas palavras que dizem muito. Às vezes, TUDO.

sábado, 23 de abril de 2011

Versos perdidos

Que maravilhoso mistério é a mente...
Poderá ser realmente desvendada um dia?
Por mais que com entusiasmo eu tente,
Nem a minha própria eu conseguiria.

Camila Miritz Kawski

Versos avulsos

Em minha volta o barulho toma conta,
Mas só eu sei o silêncio que há dentro de mim,
A inquietação e ansiedade sem fim,
E os problemas que tenho me deixam tonta.

Camila Miritz Kawski

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ser chique sempre!

     Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.
     A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
     Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.
     O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.
     Chique mesmo é quem fala baixo.
     Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.
     Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares porque se tem brilho próprio.
     Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.
     Chique mesmo é parar na faixa de pedestre.
     É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
     Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos.
     Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
     Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
     É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.
     Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
     Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!
     Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de quão breve é a vida e de que, ao final e a cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor.
     Não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.
     Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
     Porque, no final de contas chique mesmo é ser feliz!
     Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas amor e fé nos tornam humanos!

Glória Kalil

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Incompreensível

Há coisas que não se pode entender,
Que ninguém é capaz de explicar,
Que ultrapassam os limites do saber,
Vão além da terra, céu e mar...

Procuro uma razão, um motivo...
Me pergunto se existem respostas.
Não sei como ainda me localizo,
Na mesa as perguntas estão postas.

Assim, em meu coração inflama
O medo de nunca saber a verdade.
Então, tento apagar a chama
De toda esta angústia e curiosidade.

Camila Miritz Kawski

terça-feira, 29 de março de 2011

Apenas mais um

Almas perturbadas, infames...
Com intenções cruéis, indignas...
Não merecem nenhuma apreço,
Maléficas em sua essência,
Desprovidas de qualquer paciência.
Traços de traumas e amarguras,
Personalidades inquisitivas.
Não. Digo sim, espiãs.
Da vida que não lhes pertence.
Causando medo insuportável,
Mares de desespero e aflição.
Quebrando aos poucos um coração
Que carrega consigo
Um sentimento desprezível,
A vontade não saciável
De uma vingança planejada
Por tais seres provocada.

Camila Miritz Kawski

domingo, 20 de março de 2011

Sem definição

O que dizer de alguém
Que não sabe o que sente?
O que dizer de quem
Não é frio e nem quente?

Todo mundo já foi assim,
Em algum momento perdido.
Incluo também a mim,
E a ti, rival ou grande amigo.

Como reproduz o som:
" E é inútil ter certeza..."
Se é ruim ou é bom,
Decida com esperteza.

O que dizer de alguém
Que sabe definir o sentimento?
O que dizer de quem
Tem sempre o mesmo pensamento?

Camila Miritz Kawski

Breve comentário sobre "Diário de bordo"

     Eu gostaria de poder definir o que sinto nesse momento. Se é tristeza, dor, raiva, amor... Tento fazer com que os meus sentimentos se igualem aos de alguém. Mas não dá. Não os controlo. Queria poder fazê-lo.
     Desejo que minha espera pela sua volta não tenha sido em vão. Que este diário não se perca, e se transforme somente em lembranças. Desejo tanta coisa. Mas me sinto incapacitada de realizar qualquer um de meus desejos. E sou. Só há uma pessoa que tem esse poder. E só uma palavra basta.
     Não consigo entender. Não sou forte o suficiente para suportar. E não sei o que fazer.
     Então. Choro, penso. Tento encontrar uma saída. Não a encontro. Realmente não sou eu que tenho a resposta. Aguardo-a.
     Choro. E mais uma vez, me encontro na mesma situação. Esperando.

Diário de bordo... (de quem não foi) 9º DIA

     Hoje foi o dia em que estive mais ansiosa, apesar de minha espera estar chegando ao fim, fiquei frustrada por não poder acelerar o tempo. Ele passou lentamente... Mas eu sei que amanhã tudo estará melhor. Terei de volta o que me sustenta, o que me faz feliz.
     Não fiz muito além de aguardar. Mas sonhei. Muito. Acreditei. Isso me conforta.

Diário de bordo... (de quem não foi) 8º DIA

     Hoje meu dia foi normal. A saudade se fez presente continuamente. E eu continuo a esperar...

Duas faces (2)

O que é a verdade?
O que digo ou o que ouço?
Eis minha curiosidade
Em meio a este mundo louco.

Palavras e mais palavras
Que não sustentam nenhuma teoria.
Alguns, na língua tem travas,
Outros, pra falar sentem euforia.

O que é a mentira?
O que foi dito ou a verdade escondida?
A resposta que fugira
Quando desta situação me encontrei vestida.

Camila Miritz Kawski

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Diário de bordo... (de quem não foi) 7º DIA

     Meu dia hoje começou cedo. Fui até o centro cuidar de alguns assuntos e voltei rapidamente para casa. Estava bem. Até um certo momento...
     Fui arrumar meu quarto e ao ligar o aspirador de pó, minha gata se assustou. Ela estava em cima do roupeiro, nas alturas, e saltou de lá em cima das minha coisas... Fez um grande estrago. Parecia que havia passado um furacão em meu quarto. E ela quebrou duas coisas importantes para mim: o meu perfume favorito e uma boneca que ganhei nos meus 15 anos. Fiquei realmente muito triste... Pensei: - O que eu posso tirar de bom dessa situação? Foi então que, tentei interpretar de outra forma.
     O perfume. Eu o usava quase todos os dias, amava aquela cheiro. E, ele quebrou. Mas, quando o frasco se despadaçou no chão, meu quarto foi inundado por uma fragância maravilhosa... Na vida muitas vezes é assim. Nos prendemos a determinados hábitos, gostos e até mesmo vícios. Isso faz com que fiquemos presos à nós mesmos. Muitas vezes nos leva a "quebras", decepções e tristezas, mas que por um lado são necessárias. Nos liberta. Fazendo-nos exalar nosso melhor perfume, nossa essência. Contagiando quem está a nossa volta...
     A boneca. Para mim era um símbolo, a lembrança de um momento feliz. Mas por uma fatalidade ela quebrou. Quantas vezes perdemos algo, ou alguém que gostamos e nos prendemos nas lembranças? Vivendo no passado; o que nos impede de desfrutar plenamente o presente. E precisamos que um choque aconteça, que o velho se quebre para vermos o novo que está à nossa frente.
     À tarde fui rever uma grande amiga. Estava com saudades. Indico esta ação à todos. É tão bom tornar a ver quem amamos. Isto me fez muito bem.
     Trabalhei e então retornei a  minha casa.
     Cheguei exausta, e vou me atirar na cama.
     Está na hora de encontrar o meu amor, nos meus sonhos...
     Boa noite, eu te amo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Diário de bordo... (de quem não foi) 6º DIA

     Hoje foi um dia perfeitamente feliz, na medida do possível. Afinal, estava precisando de um pouco de calma. Acordei bem mais tarde e pude descansar. Recomendo à todos de vez em quando. É bom transformar o déficit de sono em créditos. Faz muito bem...
     Após afastar a preguiça e me alimentar, cuidei um pouco dos afazeres domésticos e fiz meu almoço. Ao meio dia tive uma grande alegria, que ao longo do dia se transformaou em ansiedade. À noite eu poderia contar as novidades para quem está longe daqui. A internet é uma ótima aliada contra a distancia.
     São poucas as pessoas que conseguem fazer com que eu fale o que sinto, ou apenas converse. Meu grupo de amigos é bem seleto. Também dou esta recomendação. Preste atenção em quem você está confiando. Pode até ser meio paranóico, mas é real.
     A tarde passou voando, e eu esperei ansiosamente a noite. Minha tia me buscou do trabalho. Ao chegar peguei uns aperitivos na cozinha, e liguei o computador. E às 9:30 começaram os minutos mais felizes dessa semana para mim. Foram apenas trinta, mas valeu a pena. Não pude ouvir, mas através das palavras, sentir. Isso é o que importa.
     Não ligue se o que, ou quem você ama está longe. Diga o que sente... Com certeza é melhor, e mais intenso quando as palavras são ditas pessoalmente (se possível o faça), mas não deixe que a distância - nem nada - se torne um problema na hora de demonstrar o amor. Nada pode ser mais forte do que esse sentimento.
     Depois desta conversa fui revigorada. E ao mesmo tempo que fez com que a saudade sufocasse meu peito, me deu forças para suportá-la por mais um tempo. Até ver de novo na minha frente o reflexo de quem eu sou.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Diário de bordo... (de quem não foi) 5º DIA

     Bom, hoje é feriado. Eu iria à praia, mas ainda estou me recuperando de ontem. Acordei cedo e, apesar de ter o dia livre para fazer o que quiser, não fiz.
     Mas fiz uma coisa que queria. Fui cortar meus cabelos... Não muito curto, porque não quero desagradar ninguém, e agradar a mim. Depois de ver o resultado, me surpreendi. E... amei. Ficou muito bom.
     Fui almoçar em minha avó. Aqueles típicos almoços de família. Dá pra se divertir, mas alguém sempre sai de "cara feia" por um brincadeirinha de mal gosto. Nem sempre é intencional, mas devemos ter cuidado com nossa língua, ela é uma arma poderosa. Gostaria que uma pessoa em específico lesse isto aqui. Mas continuando...
     À tarde coloquei meus fones de ouvido e me deixei levar pela saudade. É tão ruim ficar longe de quem te faz bem. A música é maravilhosa para aproximar quem está longe, mas com essa proximidade traz junto uma grande tristeza... Quando me dei por conta. Já havia se passado uma hora do horário previsto para eu ir embora.
     Cheguei em casa e fui ler o jornal diário. Alimentei meus animais de estimação e resolvi sentar no quintal para tomar um chimarrão na brisa da tardinha. À noite naveguei nas páginas da internet que me interessavam, mas não encontrei nada novo, somente as declarações de saudade que, só eu entendo. E isto já me bastou. Confortou meu coração.
     Agora voltei, estou tomando um café, o vício que me une com quem está distante.
     Vou dormir. Boa noite!
     A partir dessa semana não sei se vou gostar tanto de viagens, a não ser que vá nelas.

Diário de bordo... (de quem não foi) 4º DIA

     Hoje pensei que seria um dia como qualquer outro. A rotina. E o tempo passaria velozmente. Mal sabia eu o que me esperava.
     Acordei cedo e após tomar o cáfé me dirigi ao trabalho, aproveitando a carona de minha tia. Cheguei empolgada. Mas minha empolgação durou pouco... Logo após aparece minha colega, que exerce a mesma função no turno inverso. Haviam me dado o horário errado, e eu, tive que voltar para casa.
     Vim com uma velocidade incrível, impulsionada pela indignação que crescia em meu peito. Mas, pensei: "Ficar assim não vai resolver nada, só me resta ter paciência." Então, me acalmei.
     Cheguei em casa e para não desperdiçar a manhã dormindo, resolvi ir até o centro da cidade fazer algumas compras necessárias para o início do ano letivo. E, novamente me frustrei. Não encontrei o que precisava... Resolvi tomar um sorvete para combater o calor que me assolava. E, surpresa! A sorveteria estava fechada. Definitivamente, isto não estava em meus planos, e o dia não estava disposto a colaborar.
     No caminho para casa, comprei meu almoço. Não estava com ânimo para lidar com as panelas. Olhei o telejornal e li um livro, aguardando a hora de retornar ao trabalho.
     Lá estava uma correria. Parecia que só existia o meu nome: -Camila, vem aqui!, -Camila, me dá uma ajudinha?... Me deu uma profunda dor de cabeça. Não gosto muito de agitação. Prefiro a serenidade. E por estar em um ambiente um tanto "animado", comecei a me sentir mal. Não psicologicamente, mas meu físico já estva sendo afetado. Por um momento pensei que iria desmaiar. Aguentei quase até o final, mas cinco minutos antes tive que sair.
     Já era tarde, e a noite não eferecia muitas alternativas. Então comprei uma pizza e uma Coca-Cola para ver se ajudavam a me recompor. Funcionou. Olhei meus programas de mistério favoritos e vou ir dormir.
     Acho melhor descansar. Hoje não tive muito com que me alegrar. Aliás, pelos próximos cinco dias, não terei...

Diário de bordo... (de quem não foi) 3º DIA

     Hoje acordei cedo, com a intenção de ir ao cabeleireiro. Fui com minha prima e tive uma decepção: o salão estava fechado. Mas não desisti, outro dia eu corto.
     Minha tarde foi agradável, apesar do calor. Ri muito com minha prima. Há tempos não me divertia tanto. Deu pra me distrair... Tirei muitas fotos - outra paixão minha. Mesmo assim, por alguna momentos meu pensamento ficava vagando, para bem longe.
     À tardinha fiz caminhada, escutando minhas músicas preferidas. Ao chegar em casa fui conversar com minha madrinha, falamos sobre o futuro. Onde vou morar? Que faculdade cursarei? ... Me resta menos de um ano para decidir. Isto é algo que me deixa aflita, como a tantos jovens que se encontram na mesma situação. Minha vontade é ir para POA, parece simples, mas para mim é um perfeito exemplo da guerra entre razão e emoção. Que só eu entendo...
     Bom, tive um dia cheio, e ao mesmo tempo, vazio.
     Boa noite!

Diário de bordo... (de quem não foi) 2º DIA

     Meu dia hoje, foi diferente. Acordei cedo, e após o desjejum, fui à igreja alimentar minha fé. Ao voltar resolvi cuidar de minha aparência, e eu e minha prima transformamos meu quarto em um salão de beleza. Coisas de mulher. Até a tardinha eu tirei o dia pra mim, pra me distrair...
     Foi em um instante, do qual não me recordo o horário, que me sobreveio um momento de epifania. Passei a entender algo muito importante.
     Estava me sentindo muito só, e então percebi porque tenho tanto medo de perder quem eu amo. Porque me sinto tão frágil em sua ausência. Pensava ser porque amava demais - o que não deixa de ser uma grande verdade, amo de todo o coração. Foi então que constatei a origem do medo. É por já ter sido abandonada várias vezes em minha vida.
     Desde muito pequena cresci na companhia somente de minha mãe, e seria hipócrita se afirmasse que a imagem paterna não faz falta. Também há alguns que estavam sempre comigo, irmãos na fé, que deixaram-me. Sem falar nos "amigos" que juravam amizade eterna, e ao vir o primeiro problema, desapareceram. Todos esses, não lutaram por mim. Mas agora, também percebo que não fui só eu que saí com perdas. Eles também. Perderam a mim. De participar de momentos de alegria, da minha felicidade. Agradeço a Deus por ter colocado pessoas que me amam de verdade em meu caminho; e com quem hoje, sei que posso contar.
     Mesmo assim ainda há aquele resquício de temor em relacão ao abandono. E agora que encontrei alguém a quem amo. Tenho medo. Medo de perder as sua doces palavras.
     E assim, o que aumenta também é a saudade, ao me imaginar ao seu lado.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Diário de bordo... (de quem não foi) 1º DIA

     Aqui estou eu novamente, escrevendo.
     Sabe, hoje foi um dia de interrogações para mim... O que vou fazer da minha vida neste ano? Estou aproveitando bem o meu tempo? O que será do futuro?
     Muitas vezes como agora, me confundo com minhas próprias perguntas. Será que existem respostas?
     Só há uma maneira de descobrir: vivendo. Por isso quero aproveitar cada segundo que por Deus é me proporcionado. Cada situação que provocar um sorriso em meu rosto; ouvir cada palavra direcionada para a edificação do meu ser; sendo o melhor que eu puder.
     Foi assim que hoje, refleti muito e aprendi.
     Meu dia começou bem cedo, e no trabalho, como nos dias anteriores, certifiquei minhas teorias: que um Bom Dia faz toda a diferença; que podemos saber se as palavras de alguém são sinceras somente pelo olhar; que há pessoas que simplesmente não gostam de mim e outras que conservam um carinho especial pela minha pessoa.
     Provei a gostosa comida da mamãe. E senti orgulho de mim mesma quando fui receber meu salário e fazer compras. Não com arrogância ou altivez. Mas por perceber que fui útil e por isso mereci; quem trabalha entende.
     Bom, um dia normal até aí. Fui à minha tia. Exercitei meu hobby: comprar esmaltes. Recebi a notícia de que teria a companhia de minha prima à noite ( não me sentiria tão sozinha). Então comprei uma pizza e aluguei dois filmes. Tudo certo para aplacar o tédio desse final de semana.
     Mas algo raro aconteceu. Estava olhando um dos filmes e de repente meus olhos ficaram marejados. Eu sei que era um romance, mas não costumo chorar, pois sempre tenho em mente que é mera ficção. Esse, porém, foi diferente. Me ensinou uma grande lição. Que por mais que desejemos, às vezes, o que é bom acaba. Que pode não durar para sempre. Só nos resta aproveitar o presente. Não sabemos nem um segundo à frente. O futuro é uma incógnita que se descobre com o tempo.
     Então, chorei. Por agora não poder fazer isso. Por estar distante do que amo, de quem admiro, de quem me faz feliz. Fiquei, e ainda estou torcendo, para que o relógio ande mais rápido e que só o melhor aconteça. Me sensibilizei com a fragilidade da vida e com a nossa impotência diante de alguns fatos.
     Contudo, só me resta aguardar. E com muito amor no coração, eu espero.

     PS: Eu te amo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Temores...

Tenho medo que você se afaste demais, a ponto de não saber mais o caminho de volta...
Tenho medo de estar extremamente próxima, e assim, você se cansar de mim.
Tenho medo que as inconstâncias presentes abalem o amor que, em meu coração está firme...
Tenho medo que a constância deixe tudo muito "normal", e se transforme em rotina.
Tenho medo que você escute o que os outros dizem...
Tenho medo que eu escute o que eles dizem.
Tenho medo da incerteza quanto ao que fazer...
Tenho medo da convicção quanto aos meus sentimentos.

Tenho medo, medos... medo de temer. De não ser corajosa o suficiente para espantar esses temores.

"E o medo que está sempre a porta... quando estou com você ele não pode entrar."

Ao seu lado me sinto forte para enfrentar o que, antes de você chegar, me assombrava. E me sentir livre, confiando no melhor. Porque você trouxe de volta a confiança que eu tinha na felicidade.
Camila Miritz Kawski

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Inesquecíveis...

Faziam brotar em meu rosto um sorriso,
E em meu coração uma grande alegria.
Me animavam e aconselhavam quando preciso.
Sem os ter conhecido, a vida como seria?

Não teria rido e me divertido tanto,
Teria perdido grandes momentos...
Quem haveria de enxugar meu pranto,
Ou transformar em festa meus lamentos?

Agora, que distante fisicamente, me encontro,
Ausente em seu convívio diário,
Para voltar, meu ser está pronto,
Mas a realidade diz o contrário.

Que falta que vocês me fazem...
Mais do que amigos e amigas eram.
Na memória lindas lembranças me trazem,
E por um reencontro todos esperam.

Pelas gargalhadas e lágrimas: meu obrigado,
Pelas palavras sinceras e sem maldade.
Cada um, em meu coração está guardado.
E não há um sequer, que não deixe saudade.


Camila Miritz Kawski

     Dedicado aos amigos que deixaram em meu coração um grande vazio. Colegas do Sete de Setembro (Vinicius, Fabiane, Bianca, Patrícia...) nunca esquecerei de vocês.