sexta-feira, 23 de setembro de 2011

FAÍSCA *

Pensava não ser mais capaz
De por alguém sorrir...
Duvidava dessa grande paz
Que me fazes sentir...

Porém, vi que enganada estava;
Que o passado não é o presente;
Que o céu novamente clareava;
E que tu me deixas contente.

Como pôde? Como pode?
Pergunta antiga, pergunta atual.
Respectivamente, explodem
Em minha mente de intelectual.


Ainda não sei o tempo
Que permanecerá no meu coração.
Se me trará abrigo no tormento.
Ou se será mais uma decepção.

Mas não ligo, não temo...
Aprendi a viver o agora,
A sentir a paixão ao extremo
Assim que ela aflora.


Concluo, que sou capaz,

De meu choro cessar...
Então feliz, e em paz,
Mais uma vez amar...

Camila Miritz Kawski

domingo, 18 de setembro de 2011

TRECHO DA ADVERTÊNCIA DA PRIMEIRA EDIÇÃO DE "RESSURREIÇÃO" DE MACHADO DE ASSIS...

     [...]
     Aplausos, quando não os fundamenta o mérito, afagam certamente o espírito e dão algum verniz de celebridade; mas quem tem vontade de aprender e quer fazer alguma coisa, prefere a lição que melhora ao ruído que lisonjeia.
     No extremo verdor dos anos presumimos muito de nós, e nada, ou quase nada, nos parece escabroso ou impossível. Mas o tempo, que é bom mestre, vem diminuir tamanha confiança, deixando-nos apenas o que é indispensável a todo homem, e dissipando a outra, a confiança pérfida e cega. Com o tempo, adquire a reflexão o seu império, e eu incluo no tempo a condição do estudo, sem o qual o espírito fica em perpétua infância.
      Dá-se então o contrário do que era dantes. Quanto mais versamos os modelos, penetramos as leis do gosto e da arte, compreendemos a extensão da responsabilidade, tanto mais se nos acanham as mãos e o espírito, posto que isso mesmo nos esperte a ambição, não já presunçosa, senão refletida. Esta não é talvez a lei dos gênios, a quem a natureza deu o poder quase inconsciente das supremas audácias; mas é, penso eu, a lei das aptidões médias, a regra geral das inteligências mínimas.
     [...]